Pesca à boia (waggler e stick float)

Material relacionado

A boia, um indicador preciso

A boia tem duas funções: manter o isco à profundidade certa e assinalar o toque. Com uma cana match e carreto pesca-se mais longe do que com a cana de ponteira fixa, em albufeiras, lagoas e rios. É a técnica mais versátil para ciprinídeos (carpas, pimpões, tencas, bogas, barbos, escalos) e também para a perca; no Brasil serve para tilápias, lambaris e muitas outras espécies.

Waggler ou stick float

O waggler prende-se só por baixo. Usa-se em água parada, a distância ou com vento, com a linha afundada debaixo da superfície para que o vento não a arraste. O stick float, preso em cima e em baixo, foi feito para a corrente: deixa-se derivar segurando ligeiramente a linha, para que o isco passe à frente da boia de forma natural. Em ambos os casos, chumbe até só a antena ficar de fora: quanto mais sensível, mais toques finos se veem.

Ajustar e engodar

Sonde a profundidade e ajuste o isco para roçar o fundo ou pescar a meia-água, conforme a espécie e a época. Engode pouco e muitas vezes, sempre no mesmo sítio, com algumas larvas ou casters lançados com a fisga ou uma pequena bola de engodo. No rio, engode um pouco a montante, para o engodo assentar na linha que a boia segue.

Ler os toques

Uma boia que afunda é evidente, mas uma boia que sobe, se deita, pára na corrente ou foge para o lado também denuncia um peixe: qualquer movimento anormal merece uma ferragem. Ferrar depressa reduz ainda o risco de o peixe engolir o anzol.

Anzóis e boas práticas

Czarkowski e Kapusta (2019) estudaram como a experiência do pescador influencia a eficácia da pesca à boia com diferentes tipos de anzol: a experiência conta tanto como o material. Escolha um anzol fino adequado ao isco, sem barbela se for devolver, e leve um desferrador. Para chumbar, Scheuhammer e Norris (1996) lembram a toxicidade do chumbo perdido para a fauna: prefira chumbos não tóxicos.

Regras

O número de canas, alguns iscos (como o peixe vivo), a rede de manutenção e o chumbo são regulados de forma diferente consoante o país e a zona. Em Portugal, a pesca lúdica em águas interiores exige licença emitida pelo ICNF; confirme junto do ICNF e da entidade gestora as regras do local onde pesca. No Brasil, consulte o órgão ambiental competente. Consulte a página de regulamentação.

O material, peça a peça

  • Cana match ou de boia de 3,60 a 4,20 m
  • Carreto leve de bobina fixa
  • Monofilamento fino, afundante para o waggler, flutuante para o stick float
  • Wagglers (água parada, distância) e stick floats (corrente)
  • Chumbos finos, de preferência não tóxicos
  • Anzóis finos adequados ao isco
  • Larvas, casters, pão, milho, minhocas
  • Engodo e iscos soltos (fisga)
  • Camaroeiro

Passo a passo

  1. Escolher a boia: waggler preso só em baixo para água parada ou distância, stick float preso em cima e em baixo para corrente.
  2. Chumbar a boia até só a antena ficar de fora.
  3. Sondar e ajustar a profundidade.
  4. Engodar pouco e muitas vezes no mesmo sítio, com fisga se necessário.
  5. Na corrente, deixar derivar segurando ligeiramente para o isco ir à frente.
  6. Ferrar a qualquer movimento da boia e desferrar depressa.

Erros frequentes

  • Boia pouco chumbada: os toques finos não se veem.
  • Linha flutuante com waggler: o vento arrasta a boia.
  • Engodo irregular que dispersa os peixes.
  • Ferragem tardia que faz o peixe engolir o anzol.

Regras a verificar antes de sair

  • Número de canas permitido.
  • Iscos proibidos ou limitados (peixe vivo, certas larvas).
  • Uso de rede de manutenção.
  • Restrições ao chumbo.

Regulamentos de pesca por país

Estudos citados

  1. Czarkowski & Kapusta (2019) The impact of angling experience on the efficiency of float fishing using different hook types Fisheries & Aquatic Life doi:10.2478/aopf-2019-0005
    Estuda como a experiência do pescador influencia a eficácia da pesca à boia com diferentes tipos de anzol.
  2. Scheuhammer & Norris (1996) The ecotoxicology of lead shot and lead fishing weights Ecotoxicology doi:10.1007/bf00119051
    Revisão sobre a ecotoxicologia dos chumbos de pesca: porque preferir chumbos não tóxicos.