Pesca vertical (jigging vertical)

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O princípio

A pesca vertical faz-se a partir de um barco, exatamente por cima dos peixes, subindo e descendo uma amostra junto ao fundo. Em vez de lançar longe e procurar às cegas, localizam-se primeiro os peixes ou os seus pesqueiros com a sonda e apresenta-se depois a amostra mesmo à frente deles. Nas albufeiras portuguesas e espanholas é muito eficaz para a lucioperca e o achigã no inverno; no Brasil, a técnica é usada em represas para várias espécies de predadores.

O equipamento

Uma cana curta e sensível, um carreto leve, multifilamento fino sem elasticidade que transmite cada toque e um terminal de fluorocarbono, ou de aço onde houver lúcios. Amostras: cabeçotes pesados com silicones, jigs metálicos e colheres de jigging. A sonda é a ferramenta central: mostra desníveis, fossas, cardumes de peixe-pasto e muitas vezes os próprios predadores. O colete salva-vidas é indispensável.

A animação

Deixe a amostra descer até ao fundo com a linha tensa. Anime-a com toques curtos e deixe-a voltar a descer sem perder o contacto. Muitas picadas surgem na descida: um pequeno toque, uma linha que afrouxa, um peso que desaparece. Com água fria, encurte os movimentos e faça pausas. O motor elétrico ou uma deriva controlada mantêm-no na vertical; se a linha se inclina, a amostra deixa de pescar no sítio certo.

O problema da profundidade

Pescar fundo levanta uma questão de devolução. Um peixe trazido depressa de grande profundidade pode sofrer barotrauma: bexiga natatória dilatada, olhos ou estômago salientes. Talmage e Staples (2011) mediram a mortalidade de walleyes pescados nas águas profundas do Rainy Lake, e Gravel e Cooke (2008) mostraram que a gravidade do barotrauma influencia o comportamento e o destino de achigãs devolvidos. Se pretende devolver, pesque a profundidades moderadas, suba o peixe com calma e devolva-o depressa; se pescar muito fundo, saiba que a sobrevivência após a devolução pode ficar comprometida. Lembre-se ainda de que várias espécies de albufeira são exóticas e as regras podem impedir a sua devolução.

Regras e segurança

Em Portugal, consulte o ICNF; no Brasil, o órgão ambiental competente. Confirme se a navegação e a pesca embarcada são permitidas, as regras sobre motores, os períodos de defeso e o equipamento de segurança obrigatório. Consulte a página de regulamentação da sua zona.

O material, peça a peça

  • Cana curta e sensível de ação rápida
  • Carreto leve (de bobina fixa ou baitcasting)
  • Multifilamento fino sem elasticidade para sentir cada toque
  • Terminal de fluorocarbono; aço onde há lúcio
  • Cabeçotes pesados, jigs metálicos e colheres de jigging Jigs metálicos planos com assist hooks, lote de 3 24,90 €
  • Amostras de silicone de 7 a 15 cm
  • Sonda para localizar estruturas e peixes
  • Camaroeiro de malha emborrachada
  • Colete salva-vidas no barco

Passo a passo

  1. Localizar com a sonda desníveis, fossas e cardumes de peixe-pasto.
  2. Posicionar-se na vertical com motor elétrico ou deriva controlada.
  3. Descer a amostra até ao fundo com a linha tensa.
  4. Animar com toques curtos e deixar descer com controlo.
  5. Manter a amostra logo acima do fundo compensando a deriva.
  6. Ferrar perante qualquer anomalia na descida.
  7. Trazer o peixe com calma e desanzolar depressa.

Erros frequentes

  • Toques demasiado amplos ou rápidos com água fria.
  • Amostra demasiado leve: perde-se o contacto com o fundo.
  • Pescar muito fundo peixes que se querem devolver (barotrauma).
  • Ignorar a deriva: a amostra sai da vertical.
  • Esquecer o colete salva-vidas.

Regras a verificar antes de sair

  • Se a navegação e a pesca embarcada são permitidas nessa massa de água.
  • Limites a motores de combustão ou elétricos em algumas albufeiras.
  • Proibição de amostras em períodos de defeso de predadores.
  • Tamanhos mínimos e limites de captura.
  • Equipamento de segurança obrigatório a bordo.

Regulamentos de pesca por país

Estudos citados

  1. Talmage & Staples (2011) Mortality of Walleyes Angled from the Deep Waters of Rainy Lake, Minnesota North American Journal of Fisheries Management doi:10.1080/02755947.2011.623759
    Mede a mortalidade de walleyes pescados nas águas profundas do Rainy Lake: a profundidade de captura pesa na sobrevivência após a devolução.
  2. Gravel & Cooke (2008) Severity of Barotrauma Influences the Physiological Status, Postrelease Behavior, and Fate of Tournament-Caught Smallmouth Bass North American Journal of Fisheries Management doi:10.1577/m07-013.1
    Mostra que a gravidade do barotrauma afeta a fisiologia, o comportamento e o destino de achigãs de boca pequena devolvidos.