Pesca com amostras duras (minnows e crankbaits)

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Uma amostra que nada sozinha

A amostra dura, de madeira ou plástico, imita um pequeno peixe. A pala dianteira fá-la mergulhar e dá-lhe a natação: quanto maior e mais plana, mais fundo trabalha. Há modelos flutuantes, que sobem na pausa, suspending, que ficam parados à mesma profundidade, e afundantes. Os jerkbaits pescam-se aos toques; os crankbaits de pala grande recolhem-se de forma contínua e vão bater no fundo e nos obstáculos.

Para que espécies

Achigã, lúcio, perca, lucioperca de noite, bordalo, truta: quase todos os predadores atacam uma amostra dura. É a técnica ideal para prospetar depressa uma grande zona, de barco ou da margem, nas albufeiras portuguesas ou nos reservatórios brasileiros.

Escolher o modelo

O primeiro critério é a profundidade de natação indicada na embalagem. Sobre um prado de algas a um metro da superfície, um modelo superficial; para um talude a quatro metros, um crankbait de pala comprida. O tamanho segue o das presas do momento: pequenos no fim do verão, quando abunda o alevim, maiores no outono. Com água fria, um suspending recolhido com pausas longas faz muitas vezes a diferença.

Animar

Lance para lá do pesqueiro, para que a amostra atinja a profundidade quando lá passar. Comece com uma recolha regular e depois varie: pausas, acelerações, toques de ponteira. Quando um crankbait bate numa pedra ou num tronco muda bruscamente de trajetória, e é muitas vezes aí que surge o ataque. Prenda a amostra com um snap sem destorcedor ou com um nó de laçada.

Fateixas e devolução

A maioria das amostras tem duas ou três fateixas: ferram bem, mas dificultam desferrar. DuBois e Dubielzig (2004) compararam mortalidade, lesões e eficácia de captura conforme o tipo de anzol em trutas pescadas com amostras: uma referência útil se devolver o peixe. Muitos pescadores esmagam a barbela ou trocam as fateixas por anzóis simples. Leve um alicate comprido e um camaroeiro de malha emborrachada. A revisão de Siepker e colegas (2007) descreve os efeitos da captura e devolução nos black bass.

Regras

Em Portugal, a pesca lúdica em águas interiores exige licença emitida pelo ICNF; confirme junto do ICNF e da entidade gestora as regras do local onde pesca. No Brasil, consulte o órgão ambiental competente. Consulte a página de regulamentação da sua zona e os tamanhos mínimos.

O material, peça a peça

  • Cana de spinning ou casting de ação semiparabólica, que absorve as cabeçadas
  • Carreto com travão progressivo
  • Multifilamento ou fluorocarbono conforme a profundidade
  • Terminal de fluorocarbono; aço ou titânio se houver lúcio
  • Minnows flutuantes, suspending e afundantes, jerkbaits, crankbaits de pala
  • Snap sem destorcedor para a amostra nadar livre
  • Alicate comprido e alicate de argolas
  • Camaroeiro de malha emborrachada, onde as fateixas se prendem menos
  • Caixa de compartimentos fundos

Passo a passo

  1. Escolher a profundidade de natação (tamanho da pala) conforme o pesqueiro.
  2. Prender com snap ou nó de laçada para não travar a natação.
  3. Lançar para lá do pesqueiro para que a amostra chegue à profundidade ao passar.
  4. Recolher de forma regular e depois variar com pausas, acelerações e toques.
  5. Fazer o crankbait bater nos obstáculos: a mudança de trajetória provoca o ataque.
  6. Ferrar com um movimento amplo e desferrar rapidamente com o alicate.

Erros frequentes

  • Nó apertado diretamente na argola, que mata a natação.
  • Recolher sempre à mesma velocidade.
  • Manter fateixas rombas ou enferrujadas.
  • Usar fateixas com barbela em peixes para devolver.

Regras a verificar antes de sair

  • Proibição de amostras em certas épocas ou troços.
  • Regras sobre número e tipo de anzóis em alguns troços.
  • Se a pesca ao corrico é permitida.
  • Tamanhos mínimos e limites de captura dos predadores.

Regulamentos de pesca por país

Estudos citados

  1. DuBois & Dubielzig (2004) Effect of Hook Type on Mortality, Trauma, and Capture Efficiency of Wild Stream Trout Caught by Angling with Spinners North American Journal of Fisheries Management doi:10.1577/m02-171.1
    Compara mortalidade, lesões e eficácia de captura conforme o tipo de anzol em amostras (colheres rotativas) com trutas selvagens: uma referência para escolher entre fateixa e anzol simples.
  2. SIEPKER et al. (2007) A review of the effects of catch‐and‐release angling on black bass, Micropterus spp.: implications for conservation and management of populations Fisheries Management and Ecology doi:10.1111/j.1365-2400.2007.00529.x
    Revisão dos efeitos da captura e devolução nos black bass, alvo clássico dos crankbaits.