Pesca ao toque com isco natural

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O princípio

A pesca ao toque consiste em fazer rolar um isco natural (minhoca, larva) pelo fundo da corrente, sem boia, guiando a linha com uma cana comprida. O isco não se vê: sente-se o toque através da linha e da ponteira. É uma pesca de ribeiros e rios, tradicional para a truta nos rios do norte de Portugal, e eficaz também para bogas, escalos e barbos, sobretudo com água turva depois da chuva.

O equipamento

Uma cana comprida e leve, muitas vezes telescópica, para manter a linha acima dos remoinhos; um carreto pequeno, ou nenhum nos ribeiros; linha fina, às vezes com um troço colorido para ver os toques; anzóis finos, de preferência sem barbela; chumbos finos, idealmente não tóxicos. Waders e óculos polarizados completam o equipamento.

Ler a água e chumbar bem

As trutas ficam nas cabeças de corrente, ao longo dos veios de água, debaixo das margens escavadas e atrás das pedras. O isco deve chegar a esses pesqueiros a rolar pelo fundo à velocidade da corrente. Tudo depende da chumbada: pesada demais, prende ou fica parada; leve demais, passa por cima dos peixes. Ajuste o chumbo a cada tipo de corrente.

Guiar e sentir

Lance ou deixe cair o isco a montante do pesqueiro e acompanhe a deriva com a cana alta, sem esticar nem afrouxar a linha. O toque sente-se como uma pancadinha ou uma paragem, ou vê-se na linha que se desvia. Ferre cedo: quanto mais tempo o peixe mexe no isco, maior o risco de engolir o anzol.

Isco natural e devolução

É o ponto sensível da técnica. DuBois e Kuklinski (2004) compararam mortalidade, lesões e eficácia de captura conforme o tipo de anzol em trutas selvagens de ribeiro pescadas ativamente com isco; Schill (1996) mediu a mortalidade por anzol de trutas-arco-íris pescadas com isco natural. O isco natural é engolido com mais frequência do que uma amostra. Para reduzir os danos: ferrar cedo, usar anzóis adequados e, se o anzol estiver engolido, cortar a linha junto à boca em vez de o arrancar. Se quer devolver a maioria dos peixes, prefira amostras ou mosca.

Regras

Em Portugal, a pesca lúdica em águas interiores exige licença emitida pelo ICNF; confirme junto do ICNF e da entidade gestora as regras do local onde pesca. Consulte a página de regulamentação da sua zona.

O material, peça a peça

  • Cana comprida e leve (muitas vezes telescópica) para guiar a linha
  • Carreto pequeno, ou nenhum em ribeiros pequenos
  • Linha fina, às vezes com um troço colorido para ver os toques
  • Anzóis finos, de preferência sem barbela
  • Chumbos finos ajustados à corrente, de preferência não tóxicos
  • Minhocas, larvas de traça ou de insetos onde permitido
  • Pinça ou desferrador
  • Waders ou botas altas
  • Óculos polarizados para ler o fundo

Passo a passo

  1. Localizar os pesqueiros: cabeças de corrente, veios de água, margens escavadas, atrás das pedras.
  2. Chumbar o suficiente para que o isco role no fundo à velocidade da corrente.
  3. Lançar ou deixar cair o isco a montante do pesqueiro e guiar a linha com a cana alta.
  4. Sentir o toque pela linha e pela ponteira, ou vê-lo na linha.
  5. Ferrar depressa para evitar que o peixe engula o isco.
  6. Desferrar com desferrador; se o anzol estiver engolido, cortar a linha.

Erros frequentes

  • Chumbo a mais: o isco prende ou fica parado.
  • Chumbo a menos: o isco passa por cima dos peixes.
  • Ferrar tarde, fazendo o peixe engolir o anzol.
  • Vadear por cima dos pesqueiros ou das zonas de desova.

Regras a verificar antes de sair

  • Proibição do isco natural em alguns troços (captura e devolução, só mosca ou só amostra).
  • Iscos permitidos em águas de salmonídeos.
  • Anzol simples, sem barbela e número de anzóis.
  • Épocas e tamanhos mínimos da truta.

Regulamentos de pesca por país

Estudos citados

  1. DuBois & Kuklinski (2004) Effect of Hook Type on Mortality, Trauma, and Capture Efficiency of Wild, Stream-Resident Trout Caught by Active Baitfishing North American Journal of Fisheries Management doi:10.1577/m02-172.1
    Compara mortalidade, lesões e eficácia de captura conforme o tipo de anzol em trutas selvagens de ribeiro pescadas ativamente com isco natural: o estudo de referência para esta técnica.
  2. Schill (1996) Hooking Mortality of Bait-Caught Rainbow Trout in an Idaho Trout Stream and a Hatchery: Implications for Special-Regulation Management North American Journal of Fisheries Management doi:10.1577/1548-8675(1996)016<0348:hmobcr>2.3.co;2
    Mede a mortalidade por anzol de trutas-arco-íris pescadas com isco natural em rio e em piscicultura, com implicações para troços de regulamento especial.