Truta-fário

Salmo trutta

Truta-fário (Salmo trutta)
Foto : USFWS Mountain Prairie, Public domain, Wikimedia Commons
Nome científico
Salmo trutta
Família
Salmonidae
Comprimento comum
72 cm
Comprimento máximo publicado
140 cm
Peso máximo publicado
50 kg
Idade máxima
38 anos
Estado de conservação
LC (Least Concern)
Distribuição
Europa, Norte de África e Ásia ocidental; introduzida na América do Norte e em muitos outros países.

Material relacionado

Que material para pescar truta-fário?

Uma espécie, várias vidas

Salmo trutta agrupa a truta-fário dos nossos rios de montanha, a truta lacustre e a truta-marisca, que passa parte da vida no mar. Segundo a FishBase, os indivíduos migradores passam de 1 a 5 anos em água doce e de 6 meses a 5 anos no mar. Por isso os tamanhos publicados parecem enormes: comprimento comum 72 cm, máximo publicado 140 cm e 50 kg, idade máxima 38 anos. Estes valores vêm sobretudo das formas migradoras; uma truta de ribeiro é muito mais pequena.

Em Portugal, a truta-fário é a espécie emblemática dos rios do Norte e Centro, como o Minho, o Lima, o Paiva ou o Zêzere.

O que precisa

A truta-fário procura águas frias e oxigenadas com abrigo: pedras, margens escavadas e vegetação pendente (FishBase). É sobretudo diurna. Os juvenis comem insetos aquáticos e terrestres; os adultos acrescentam moluscos, crustáceos e pequenos peixes. No rio posiciona-se de frente para a corrente para intercetar o alimento que desce, ideia central do capítulo de Neveu (1999). Na prática: uma mosca ou isco que deriva de forma natural, sem arrasto, pesca muito mais.

Porque há defeso no inverno

A truta desova no outono e início do inverno sobre cascalho com corrente, onde a fêmea escava o ninho. Os alevins permanecem semanas no cascalho. O defeso protege reprodutores e ovos, como descreve a revisão de Klemetsen e colegas (2003). Em Portugal, a pesca lúdica em águas interiores exige licença emitida pelo ICNF; confirme junto do ICNF e da entidade gestora as regras do local onde pesca. No Brasil, consulte o órgão ambiental competente. Consulte sempre a regulamentação em vigor e não caminhe sobre os ninhos.

Técnicas

A pesca à mosca, seca nas eclosões e ninfa no resto do tempo, é a mais fina. As colheres rotativas n.º 0 a 2 e as pequenas amostras permitem percorrer o rio depressa. Onde o isco natural for permitido, a minhoca à deriva é eficaz com água turva. Muitos troços exigem anzol sem barbela ou proíbem o isco natural.

Devolução

DuBois e Dubielzig (2004) compararam ferimentos e mortalidade segundo o tipo de anzol em trutas selvagens pescadas com colher. Anzol simples sem barbela, camaroeiro emborrachado e peixe dentro de água: esta é a combinação ideal. No verão, evite as horas de maior calor.

Amostras e iscos

  • Moscas secas e ninfas conforme a eclosão
  • Colheres rotativas n.º 0-2
  • Pequenas amostras de 3-7 cm
  • Minhoca e larvas onde o isco natural for permitido

Captura e libertação

  • Anzol simples sem barbela (obrigatório em muitas zonas de pesca sem morte).
  • Camaroeiro de malha emborrachada; manter o peixe dentro de água.
  • Evitar pescar em ondas de calor: a truta recupera mal em água quente.
  • Não pisar os ninhos no outono e no inverno.

Tamanho mínimo de Truta-fário por zona

França : 20–50 cm (85)
Bélgica : 24–30 cm (2)
Luxemburgo : 25–30 cm (3)
Alemanha : 20–50 cm (16)
Áustria : 22–26 cm (9)
Itália : 20–30 cm (11)
Espanha : 19–23 cm (9)
Portugal : 20 cm (1)
Eslovénia : 25 cm (1)
Suíça : 22–40 cm (14)
Reino Unido : 23–25.4 cm (2)
Estados Unidos : 35.6–53.3 cm (6)
Kentucky40,6 cm
Maine35,6 cm
Massachusetts45,7 cm
Missouri38,1 cm
New Hampshire38,1 cm
New York53,3 cm
Canadá : 45–60 cm (3)

Estudos citados

  1. Klemetsen et al. (2003) Atlantic salmon Salmo salar L., brown trout Salmo trutta L. and Arctic charr Salvelinus alpinus (L.): a review of aspects of their life histories Ecology of Freshwater Fish doi:10.1034/j.1600-0633.2003.00010.x
    Revisão de referência sobre os ciclos de vida do salmão, da truta e do salvelino-árctico: desova no outono, formas residentes e migradoras.
  2. Neveu (1999) Feeding strategy of the brown trout (Salmo trutta L.) in running water Biology and Ecology of the Brown and Sea Trout doi:10.1007/978-1-4471-0775-0_4
    Capítulo sobre a estratégia alimentar da truta em águas correntes: posiciona-se para intercetar o alimento à deriva, daí a importância de uma deriva natural.
  3. DuBois & Dubielzig (2004) Effect of Hook Type on Mortality, Trauma, and Capture Efficiency of Wild Stream Trout Caught by Angling with Spinners North American Journal of Fisheries Management doi:10.1577/m02-171.1
    Compara mortalidade, ferimentos e eficácia de captura segundo o tipo de anzol em trutas selvagens pescadas com colher.

Fontes oficiais

  1. FishBase – Salmo trutta (fiche espèce ; statut IUCN Red List 2025-2 repris par FishBase) (consultado em 23 de setembro de 2026)
  2. Klemetsen et al. 2003 – life histories of Atlantic salmon, brown trout and Arctic charr (consultado em 23 de setembro de 2026)
  3. Vlaamse overheid – Visverlof (verplicht voor recreatief vissen op de openbare binnenwateren van het Vlaamse Gewest) (consultado em 23 de setembro de 2026)
  4. ICNF – Licenças de pesca lúdica e desportiva em águas interiores (licença geral obrigatória, exceto parques de pesca) (consultado em 23 de setembro de 2026)